21.06.2008 - 30.06.2008

Sala de Destaques

Sala de Destaques, a partir de 21 jun.
Argumentos do Património Mundial
Escala significa, por um lado, lugar de passagem e descanso de navios e, por outro, medida de comparação.
Durante os tempos da navegação comercial à vela (séculos XVI a XIX), Angra foi local de passagem de uma navegação transtlântica com origem variada. Os caminhos do mar e dos impérios ibéricos – os primeiros à escala planetária – cruzaram-se aqui, deixando marcas e ligando os destinos desta terra aos seus, fossem eles Ásia, África, Europa ou Américas.
É assim que Angra serve também de escala para medir o esforço e o sonho, os ganhos e as ambições, de todos quantos cruzaram o Mar-Oceano, criando aqui o único lugar no Mundo onde ambos os impérios ibéricos deixaram marcas ainda hoje perfeitamente visíveis.
Entre Junho e Setembro de 2008, o Museu de Angra do Heroísmo apresenta, na Sala de Destaques, alguns elementos materiais que poderão ajudar quem queira compreender esses quatrocentos anos de vida que serviram de base em 1983, no contexto de uma proposta global intitulada “As explorações marítimas dos séculos XV e XVI”, à inclusão da zona central da cidade de Angra do Heroísmo na Lista dos Bens “Património Mundial” da UNESCO.

Pequena caixa em Juniperus brevifolia, (cedro-do-mato, cedro-das-ilhas, ou zimbro).
Ilha Terceira, Açores. Séc. XVI.
Dim.: 30 x 63 x 31,5 cm.
Tampa de grossa prancha lisa, corpo com decoração esgrafitada, incisa e preenchida com massa escurecida (betume judaico).
Frente e lados com decoração constituída por molduras rectilíneas, motivos vegetalistas e animais fantásticos.
Bordo da caixa com decoração puncionada, interior da tampa com decoração na mesma técnica representando um coração trespassado, envolto em motivos vegetalistas.
Pormenores técnicos como o da decoração incisa à goiva e preenchida com massa enegrecida com tinta de noz de galha, os malhetes de canto (extremamente raros) e a decoração puncionada, reforçam a importância desta peça e atestam a sua antiguidade.
Faz parte do tipo de mobiliário a que se refere José Jordão Felgueiras em “O desconhecido mobiliário açoriano do Século de Ouro” in Revista MUSEU, 4ª Série, nº 11, Porto, 2002.